sexta-feira, 6 de maio de 2011

Constatação


Dei-me conta hoje de que, talvez pela ilusão comovida pelos sentidos saudosistas, a razão do movimento era cabalística à minha pessoa. Concedi a esse movimento meu apoio desde a partida do meu amado, sem parar para indagar se eram justas suas proposições. Por mais que coligisse informações, não me achava suficientemente apta a imaginar aquilo que se sucedia nas pelejas entre o governo e os tenentes. O máximo que até então alcançara foi divisar os questionamentos da revolução e os desmandos dos oligárquicos.

Porém, no caos das reflexões, penetrou-me a lucidez, e tomei-me de esperança na idéia de uma nação melhor, entendo os motivos que levaram gloriosos tenentes à batalha. Não posso mais ficar em casa cozendo e conversando com as comadres, angustiada por notícias de meu amor. Também não consigo mais suportar viver em um Brasil cujos líderes parecem desdenhar do próprio país com suas imoderações. Todos nós, cidadãos brasileiros, fomos concebidos pela mesma terra, todos viemos do mesmo pó. Por que, então, alguns acham-se mais dignos que outros, a ponto de forçar o voto, que deveria ser-nos seguro pela liberdade inerente, e de submeter-nos a satisfazer suas umbiguistas necessidades?

Quero sair da agradável ociosidade à qual estive presa durante toda vida e tomar ação no movimento. As horas sem ocupar-me tornaram-se um fardo pesado. Tenho sede em saber o que se passa e sede maior ainda em contribuir com nossos valentes militares de alguma forma.

Resta-me agora pensar em alguma maneira de aquietar tais pertubações. Ainda ser-me-ei útil a tão cândido movimento.

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