sexta-feira, 6 de maio de 2011

Acerca do Trabalho.

Todos os textos no blog apresentados e os comentários postados em interação com os demais grupos são de autoria dos alunos do 3º ano E, do Centro Educacional Leonardo da Vinci (DF), Unidade Norte, ano de 2011. O tema abordado incorpora a época em que tomaram lugar as revoltas tenentistas, destrinchando os episódios dos dias 5 de julho de 1922 e de 1924 e a Coluna Prestes/Costa. 


Há um total de treze postagens sobre o assunto do trabalho. Para acessar as que não são mostradas na página principal, clicar no arquivo do blog, localizado na barra da lateral direita, ou em "postagens mais antigas", ao final da página.  

Constituem o grupo representante da turma “E” os alunos Amanda Ventura, Ana Beatriz Willemann, Augusto Mergulhão, Bruna Sena, Demetrio Arthur, Gabriela Dantas, Lílian Sampaio e Mateus Zakarewics. Segundo a proposta do trabalho referente ao segundo período, o grupo deveria se posicionar de maneira favorável ao Tenentismo. O trabalho foi instruído pelo professor Marcelo Afonso.


Quanto às referências bibliográficas, encontram-se:


JÚNIOR, Alfredo Boulos. História Sociedade e Cidadania, 9º ano. São Paulo: FTD, 2009.
AZEVEDO, Gislaine; SERIACOPI, Reinaldo. História do Brasil Volume Único – Ensino Médio. São Paulo: Ática, 2009.
FERREIRA, Olavo Leonal. História do Brasil. São Paulo: Ática, 1982.
ALMANAQUE Abril. São Paulo: Abril, 2011.
PORTAL DA INFORMAÇÃO: a revolta dos 18 do forte. Disponível em: http://criticaehistoria.blogspot.com/2011/02/revolta-dos-18-do-forte.html Acesso em: 03/05/2011
REVISTA DE HISTÓRIA DA BIBLIOTECA NACIONAL. Disponível em: http://www.revistadehistoria.com.br Acesso em: 05/05/2011
PORTAL SÃO FRANCISCO: a revolta tenentista. Disponível em: http://www.portalsaofrancisco.com.br/alfa/revolta-tenentista/revolta-tenentista-2.php Acesso em: 05/05/2011
SCRIBD: movimento operário e tenentismo. Disponível em: http://pt.scribd.com/doc/19942566/Movimento-Operario-e-Tenentismo Acesso em: 05/05/2011
SCRIBD: a revolução de 24, de 30 e o tenentismo. Disponível em: http://pt.scribd.com/doc/53203667/Revolucao-de-24-30-e-Tenentismo Acesso em: 05/05/2011
WIKIPÉDIA: tenentismo e links do documento. Disponível em: http://pt.wikipedia.org/wiki/Tenentismo Acesso em: 05/05/2011
HISTÓRIA NET: Brasil República, a coluna Prestes. Disponível em http://www.historianet.com.br/conteudo/default.aspx?codigo=296 Acesso em: 05/05/2011

Um dia, um adeus, um novo começo!


"Pernambuco, 27 de dezembro de 1925

Meu querido amor,

É breve o que tenho a lhe dizer. Desde a sua partida, pus-me a aprender e a formar ideias acerca da revolução. Cheguei à conclusão de que poucos brasileiros têm a coragem que impeliu você e os demais gloriosos tenentes a abdicar de tudo que tinham e ir lutar por uma pátria melhor. Confesso que, a princípio, mostrei-me efusiva simplesmente por minha inabalável crença em você. Se você queria partir, assim o deveria fazer. Foi o sábio tempo que maturou-me o suficiente para compreender a razão do movimento. Formei, então, minhas opiniões e estabeleci minhas esperanças. E, tendo tais ideais em minha essência, não posso mais permanecer paciente neste hierarquizado vale de injustiças que é nosso país. Julgo-me esgotada de desgosto. Espero que possas compreender minha partida de Pernambuco. Quero muito em breve unir-me a você e ajudar o movimento de alguma forma. Para inteirar-lhe melhor de tudo o que se sucedeu, envio-lhe junto à carta o caderno que, no dia da partida, pediu-me para escrever. Tenha sempre em seu pensamento o meu amor por você e a veemência de nossa paixão. A terra não pode separar aquilo que o céu uniu.

Eternamente sua,

Amália"

A Coluna

Aconteceu hoje que Quimério explicou-nos sobre a marcha que vem sendo chamada de Coluna Prestes, embora ache que o nome é, em parte, inapropriado. Para ele, falta o nome de Miguel Costa, grande integrante na moção da coluna. 

Alegrou-me saber que a união dos revoltosos gaúchos com os rebeldes paulistas do segundo cinco de Julho tomou forma. Já faz quase um ano desde a organização e, aparentemente, mantêm-se firmes e fortes. Creio que meu João esteja metido no meio desse foco de resistência. Espero que seja sua ocupação e participação efusiva no movimento a razão de não ter-me mais escrito. Oh, Deus, só de pensar no que pode ter acontecido...
Luis Carlos Prestes é verdadeiro salvador da pátria. Soube por Quimério que foi ele quem coligou os paulistas liderados por Costa e os gaúchos, motivando-os por uma vitória contra o torpe Artur Bernardes. A coluna inclusive passou pelo Paraguai!

Como meu querido pediu-me para registrar o que se sucede na revolução, estabelecerei aqui a breve cronologia que consegui apreender do caro Quimério. Foi no início de abril que as forças gaúchas e as forças paulistas se agregaram. No final de abril, atravessaram o Paraguai e logo retornaram ao Brasil por via do Mato Grosso. Passando por Goiás, a coluna rumou ao Nordeste e chegou em Novembro ao Maranhão, onde os rebeldes mobilizaram a cidade de Teresina.

Por enquanto, os heroicos guerreiros continuam no Nordeste. Enfrentam os injustos coronéis, que não querem abrir mão dos privilégios que o governo lhes concede. Há também embates travados com as mais diversas tropas. Diverte-me pensar que o movimento é uma pedra no sapato dos injustos oligárquicos.

Foi ao saber da arrancada da coluna pelo interior que tive a mais magnânima das ideias. Finalmente descobri uma maneira de acalmar não apenas minha consciência, como também meu coração. Unir-me-ei aos bravos militares. Por mais que venha ser ínfima minha participação, sei que posso ajudar de alguma forma. Minha falta de atitude corrói-me lentamente, e eu preciso tomar ação. Por enquanto, é tudo o que tenho em mente. Escreverei a meu João. Essa decisão é algo de que ele precisa tomar conhecimento.

Tristeza

Durante a manhã de ontem, peguei-me a observar o tristonho céu escuro e a identificar-me com ele. Não mais recebi cartas de meu amado João. Minha mente peregrinou pelo inferno ao imaginar o que se sucedeu com ele. 

Para consolar-me, decidi abri a pequena caixinha em que tranquei todas as palavras que ele me destinou desde sua partida. Não anexei tais cartas a este caderno: elas, afinal, pouco têm a ver com a gloriosa revolução. São apenas trocas de amor de duas almas gêmeas vinculadas pelo destino. Oh, como me falta seu sorriso maroto! Se pudesse vê-lo neste exato momento...

Vou-me apressar. Mais uma reunião das mulheres de tenentes e do bem-informado Quimério tomará lugar hoje. Lá, espero pensar em que minha pessoa pode contribuir... Essa preocupação não me deixou desde que foi concebida em minha mente.

Constatação


Dei-me conta hoje de que, talvez pela ilusão comovida pelos sentidos saudosistas, a razão do movimento era cabalística à minha pessoa. Concedi a esse movimento meu apoio desde a partida do meu amado, sem parar para indagar se eram justas suas proposições. Por mais que coligisse informações, não me achava suficientemente apta a imaginar aquilo que se sucedia nas pelejas entre o governo e os tenentes. O máximo que até então alcançara foi divisar os questionamentos da revolução e os desmandos dos oligárquicos.

Porém, no caos das reflexões, penetrou-me a lucidez, e tomei-me de esperança na idéia de uma nação melhor, entendo os motivos que levaram gloriosos tenentes à batalha. Não posso mais ficar em casa cozendo e conversando com as comadres, angustiada por notícias de meu amor. Também não consigo mais suportar viver em um Brasil cujos líderes parecem desdenhar do próprio país com suas imoderações. Todos nós, cidadãos brasileiros, fomos concebidos pela mesma terra, todos viemos do mesmo pó. Por que, então, alguns acham-se mais dignos que outros, a ponto de forçar o voto, que deveria ser-nos seguro pela liberdade inerente, e de submeter-nos a satisfazer suas umbiguistas necessidades?

Quero sair da agradável ociosidade à qual estive presa durante toda vida e tomar ação no movimento. As horas sem ocupar-me tornaram-se um fardo pesado. Tenho sede em saber o que se passa e sede maior ainda em contribuir com nossos valentes militares de alguma forma.

Resta-me agora pensar em alguma maneira de aquietar tais pertubações. Ainda ser-me-ei útil a tão cândido movimento.